Quarta, 26 Fevereiro 2020

        

Meu filho é desatento e agressivo.

Arthur tem 6 anos, único filho do casal, mãe tem 36 anos, ensino superior completo e atualmente é do lar. O pai tem 39 anos, engenheiro. Segundo os pais o ambiente familiar é tranquilo, porém durante algum tempo de conversa foi percebido que o Pai tinha atitudes superprotetoras, com tendência a culpabilizar escola e profissionais que o acompanhavam pela falta de “educação” e agressividade. Arthur iniciou na escola aos 3 anos com objetivo de socialização e estimular o desenvolvimento. Atualmente a criança está no infantil e seu desempenho na escola é avaliado pela mãe como abaixo da média, sendo uma de suas maiores preocupações com o futuro do filho.

Foi encaminhado pelo psiquiatra, para avaliação neuropsicológica por apresentar comportamentos agressivos e birras frequentes apresentados, inclusive, durante os atendimentos clínicos, e dificuldade de concentração. As queixas eram provenientes tanto dos familiares quanto da escola.

Foi solicitado que, além da investigação sobre os fatores citados, que traçássemos o perfil cognitivo e comportamental da criança, com objetivo de avaliarmos uma estratégia que favorecesse o processo educacional e terapêutico da criança.

Durante o processo de avaliação foi analisado o Quoeficiente de Inteligência (QI), linguagem, habilidades visuoespaciais, memória, atenção, funções executivas, além da visita escolar, avaliação psicossocial da mãe e da criança.

RESULTADOS: A avaliação da inteligência identificou capacidade de aprendizagem de acordo com o esperado para sua idade, entretanto com algumas funções cognitivas prejudicadas, precisando assim de maior atenção no processo de reabilitação e educacional.

Foi identificado que Arthur possui déficits sutis em relação a linguagem, sendo a maior dificuldade relacionada a compreensão. Na avaliação de memória a criança apresentou desenvolvimento levemente abaixo do esperado para sua idade em relação a memória auditiva verbal.

A agitação e desobediência podem ser resultantes de alterações de funções executivas como o controle inibitório. Entretanto, as dificuldades de compreensão podem influenciar as limitações comportamentais, principalmente ligadas a desobediência, neste caso a falta de respostas mediante um comando pode ser resultado da não compreensão.

Considerando os dados obtidos na avaliação, foi sugerido que família e escola invistam mais no desenvolvimento das funções de linguagem e executivas. Para as dificuldades de seguir regras ou obedecer a ordens, a estratégia foi de diminuir o número de informações por comando por meio de frases claras e curtas. Evitamos utilizar dois comandos na mesma frase, como, por exemplo, “copie a lousa e depois responda a atividade”.

Os resultados obtidos durante a avaliação tendem a contribuir para o processo de estimulação mais assertiva da criança, tanto em casa, quanto na escola e com profissionais que o acompanham, favorecendo seu processo de desenvolvimento. Essas estratégias devem ser usadas conjuntamente pelos diferentes profissionais e familiares que lidam com a criança, evitando dificuldades de compreensão que possam interferir nas respostas da criança, e para que isso não seja interpretado como responsabilidade de somente um núcleo (escolar ou familiar).

Essa é uma estória, ou seja, é um conto fictício que muito se assemelha a realidade da clínica neuropsicológica. Para maiores esclarecimentos, procure um neuropsicólogo.

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