Quarta, 26 Fevereiro 2020

        

DOUTOR, antidepressivo VICIA?

Ana tem 37 anos. Ela é funcionária pública, trabalhando no INSS. Está há 2 anos muito cansada do trabalho e da forma como tem sido tratada pelo seu chefe. Tem acreditado recentemente em todas as críticas, inclusive pessoais, que seu chefe faz. Percebeu que sua auto estima está muito baixo, perdendo a vontade de se arrumar e maquiar. Sempre foi uma mulher muito otimista, só que agora não vê mais positividade nem graça nas coisas.

 

Perdeu a vontade de sair com as amigas, conhecer pessoas novas e até de ir para o culto. Sua rotina está resumida ao trabalho e casa. Não tem mais vontade de fazer sua própria comida, sente-se muito cansada, dormindo toda vez que encosta em algum canto da casa. Está dormindo mais que o normal, acordando sem disposição alguma para levantar da cama e trabalhar. Deixou de ir no pilates e na academia.

 

Conversou com o seu pastor da igreja que lhe disse para procurar um psiquiatra, pois seu quadro não é algo do espírito, senão um transtorno que precisa de cuidados. Ela disse que tem medo de viciar com a medicação, mas o pastor orientou que conversasse isso com o psiquiatra.

 

Ela termina a consulta psiquiátrica após ter o diagnóstico de depressão e faz 3 perguntas ao médico: “Esse remédio vicia?”, “Vou ter que tomar o resto da vida?”, “Não vou ficar mal depois que parar de tomar?”.

 

A Ana nos dá um exemplo muito comum do medo que se tem em tomar antidepressivos. Os antidepressivos não são remédios que viciam. Eles tratam várias condições psiquiátricas, a depressão é um exemplo, levando a cura ou remissão dos sintomas. Os exemplos mais comuns de medicação são: Escitalopram, Citalopram, Sertralina, Fluoxetina e Paroxetina. Essas medicações não têm potencial de vício, como algumas outras na psiquiatria (os benzodiazepínicos, que falo sobre eles em outro post). A ideia delas é justamente curar um transtorno, como em várias outras doenças existentes. A sua retirada deve ser gradual para a pessoa sentir pouco esse processo. Normalmente, não é necessário tomar a medicação para o resto da vida, principalmente no primeiro e segundo episódio. É uma pequena parcela das pessoas com depressão que requer uso durante anos.

 

Por último, a Ana não deverá “ficar mal depois que parar de tomar a medicação” justamente porque sua doença estará curada. Qualquer episódio depressivo que venha aparecer ao longo da vida será um novo episódio que não estará relacionado a parada da medicação. Claro que isso sempre considerando o tratamento correto e a retirada da medicação sob supervisão médica.

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